segunda-feira, maio 26, 2008

175 Milhões de euros de lucros no 1º trimestre de 2008


A política de PS e PSD tem sido privatizar e hipotecar o futuro de Portugal numa altura em que os preços dos combustíveis atingem valores elevadíssimos e completamente loucos, muito jeito daria que a Galp fosse uma empresa detida maioritariamente por capitais públicos, na minha opinião existem sectores estratégicos que são fundamentais para qualquer politica de desenvolvimento, mas este senhores até a água pretendem privatizar, mas voltemos à Galp numa altura em que os portugueses são obrigados a apertar o cinto pela milésima vez e nos exigem sacrifícios a toda a hora a Galp no 1º trimestre de 2008 viu os seus lucros aumentarem 228,6%.

Abaixo deixo-vos um artigo do economista Eugénio Rosa:

A GALP acabou de apresentar publicamente as contas referentes ao 1º Trimestre de 2008. E por elas ficamos a saber que esta petrolífera obteve, só no 1º Trimestre de 2008, 175 milhões de euros de lucros líquidos, ou seja, mais 22,4% do que em idêntico período de 2007. E isto quando são exigidos tantos sacrifícios aos portugueses. Mas ainda mais grave, é que 69 milhões de euros desses lucros,, que é o triplo do valor registado em 2007 (+ 228,6%), que foi de 21 milhões de euros, resultaram da especulação do preço do petróleo no mercado internacional, que a GALP e as outras petrolíferas se aproveitam para cobrarem aos portugueses preços de venda nos combustíveis excessivos e escandalosos.. E isso resulta de um estranho sistema de cálculo dos preços de venda dos combustíveis aos portugueses, que não se baseia nos custos efectivos suportados pela empresa, mas que tira partido directo da especulação do petróleo no mercado internacional, que é urgente alterar pois, caso contrário, como a especulação vai continuar os portugueses serão obrigados a alimentar os lucros das petrolíferas resultantes dessa especulação. Esse sistema de cálculo dos preços de venda dos combustíveis, diferente do adoptado pela generalidade das empresas, é utilizado pelas petrolíferas, perante a passividade, para não dizer mesmo a conivência, do governo e da Autoridade da Concorrência. Para calcular os preços de venda dos combustíveis, as petrolíferas recolhem os valores dos preços dos produtos refinados (gasolina, gasóleo, etc.) no mercado de Roterdão em cada semana, depois calculam a média em relação a cada produto , e é o valor assim obtido para cada um dos produtos que é o preço, sem impostos, a que vendem os combustíveis em Portugal. É evidente que esse preço de Roterdão, que não é determinado pelos custos suportados pelas petrolíferas portuguesas, incorpora a especulação que se verifica todos os dias no mercado internacional do petróleo, determinada pela entrada maciça dos fundos de investimento nesse mercado, com o objectivo de, controlando a oferta, como estão a fazer, imporem preços especulativos e, consequentemente, embolsarem gigantes lucros (o que está a suceder). Portanto, as petrolíferas em Portugal aproveitam-se da especulação no mercado internacional do petróleo para cobrar pelos combustíveis preços aos portugueses muito superiores aos custos que têm de suportar, utilizando um esquema privilegiado de cálculo dos preços. É urgente que o governo e a Autoridade da Concorrência ponham cobro a este lucro especulativo das petrolíferas que resulta do aproveitamento que elas estão a fazer da especulação que se verifica nos mercados internacionais alterando o sistema de cálculo dos preços de venda dos combustíveis excluindo a especulação. Os preços de Roterdão devem funcionar apenas como limite máximo, para obrigar as petrolíferas a serem eficientes, em relação aos preços que as petrolíferas podem cobrar pela venda dos combustíveis em Portugal. No entanto, o cálculo dos preços deverá respeitar o que a generalidade das empresas são obrigadas fazer, ou seja, cobrir os seus custos efectivos e adicionar uma margem decente de lucro. Em Maio de 2008, os preços dos combustíveis em Portugal, quer se inclua ou não impostos,(e ainda não considera os últimos aumentos) eram superiores aos cobrados na maioria dos países da União Europeia. Assim, o preço sem impostos do gasóleo em Portugal era superior em 2% ao preço médio do gasóleo na União Europeia, e o da gasolina, também sem impostos, era em Portugal superior ao preço médio da União Europeia em +2,4%. Considerando preços com impostos, o preço do gasóleo em Portugal era inferior ao preço médio da U.E. em -0,1%, mas o da gasolina era já superior ao preço médio da União Europeia em + 5,2%. Se a análise for feita por países, conclui-se que na Áustria, na Irlanda , na França, na Suécia, na Alemanha, na Dinamarca, na Finlândia e na Inglaterra, o preço do gasóleo sem impostos era inferior ao preço cobrado pelas petrolíferas em Portugal. Na Áustria, na Irlanda, na França, na Suécia, na Alemanha, na Dinamarca, na Finlândia, e na Inglaterra, em todos estes países, o preço da gasolina sem impostos era também inferior ao cobrado pelas petrolíferas em Portugal. É um autêntico escândalo, pois com remunerações, por ex., as petrolíferas em Portugal têm custos inferiores aos suportados pelas empresas desses países ( menos de metade). A GALP foi privatizada pelos governos do PSD e do PS. Em Dez.2003 foram liberalizados os preços dos combustíveis em Portugal pelo governo PSD/CDS. A razões apresentadas pelos então governos é que isso iria determinar o aumento da concorrência com, a consequente, descida dos preços. No entanto, o que sucedeu foi precisamente o contrário. Entre 2.1.2004 e 22.5.2008 o preço da gasolina 95 aumentou 57,3%; o do gasóleo rodoviário 102,7%; e o do gasóleo de aquecimento mais de 138,1%. Durante o mesmo período os rendimentos da esmagadora maioria dos portugueses aumentaram menos de 15%. Isto tem-se verificado perante a passividade, para não dizer mesmo a conivência do governo e da Autoridade da Concorrência. Ambos preparam-se agora para branquear o comportamento das petrolíferas, pois é de esperar que pretendam fazer passar como “natural” a actuação destas empresas, dizendo que elas adoptam “o sistema de conformação de preços adoptado a nível internacional”, como já veio dizer o presidente da GALP, que exige a baixa dos impostos, para assim poder manter os seus elevados lucros.

2 Comments:

Anonymous a-sul said...

Hoje quarta-feira às quinze horas na Câmara do Seixal, haverá nova reunião de Câmara onde será abordada a questão da Verdizela.

Uma vez que estamos perante uma nova vaga de betonização generalizada do concelho , com um sem número de Planos de Pormenor e urbanizações em fase de discussão e/ou aprovação, mesmo antes da revisão do PDM, entre outras :

- Toda a zona ribeirinha da Amora, incluindo a Medideira , toda a zona ribeirinha entre o Fogueteiro e Arrentela, Verdizela , Rego Travesso, Flor da Mata , Siderurgia...

Fora o que está em curso em Paio Pires, Farinheiras, Casal do Marco, Quinta do Outeiro, Quinta da Trindade , Pinhal dos Frades , Quinta das Laranjeiras , Alto do Moinho...

Esta é uma questão que ultrapassa em muito a Verdizela!

Esta questão tem a ver com o nosso futuro aqui , e com as futuras gerações .

Tem a ver com uma "maioria eleita" por 20% da população , numas eleições em que do seu programa, não constavam as alterações urbanas impostas ao concelho ou o aumento brutal da sua carga humana e construída.

Não constava o endividamento descontrolado das presentes e das futuras gerações em obras de fachada, que não contribuem para a qualidade de vida dos que cá nasceram e sempre viveram e dos que há mais ou menos tempo cá residem.

O que está em discussão diz respeito a todos os Seixalenses , por isso apela-se a todos os que possam, para estar presentes, e os que desejem , para questionarem uma autarquia que não foi mandatada por ninguém para , em associação com grandes grupos económicos, malbaratar o ambiente e a qualidade de vida no concelho do Seixal massificando-o, descaracterizando-o e urbanizando todo e qualquer espaço verde !

11:31 da manhã  
Anonymous Anónimo said...

No Seixal os cidadãos podem fazer isto, já noutros locais como o Porto de Rui Rio ou Vila Nova de Famalicão já não.

Por aqui também lhe permito a sua habitual propaganda ao seu blogue, volte sempre…

aldeia pp

11:50 da manhã  

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